Ouço um dialeto desconhecido no auge do cansaço. Minha visão é turva, sinto que estou submerso, é perceptível que há um mundo lá fora, mas me encontro numa atmosfera desconhecida.
Num relance surge do fim do corredor, cheia de luz, ela, ao menos hoje, está além da perfeição. Postura de quem sabe da qualidade que carrega. Com toda formosura, passa exalando um perfume arrebatador, mexe os quadris causando duplo efeito, no vestido que usa com raro balanço, e em minha imaginação que vaga perseguindo o trajeto por ela percorrido.
A fantasia que envolve os segundos que passam com lentidão, torna insignificante qualquer detalhe a respeito da moça. Neste momento, nome, idade ou estado civil são irrelevantes comparados com a tormenta que tomou conta do meu pensamento.
Posso ver através de suas roupas, a nudez desenhada em traços precisos, pele corada, lisa e limpa. Um sonho que desejo em minha cama. Quero acordar com o privilégio de tê-la como a primeira visão de todos os dias até à eternidade.
Entretanto, conforme a garota desaparece do meu raio de visão, sou golpeado bruscamente pela realidade. A bela que passou, de certo sofre de TPM, é confusa e provavelmente possui mãe, a divina figura, SOGRA. Reclama da praticidade masculina e está inserida num grupo de 8 amigas, as quais 6 mantém relações falsas e políticas, fato.
O tempo, o senhor ambíguo, por hora bandido, por hora mocinho, traz à tona os defeitos de ambos os sexos quando trata-se de relacionamentos. Defeitos camuflados pelo feitiço da carne nova. O início dos problemas no médio prazo, é o primeiro passo para o enigma das soluções, que levam automaticamente à outros problemas, ou seja, um oceano inteiro de complicações.
Não tem jeito, pelo visto minha tese “botequiana” está cada vez mais correta: Relacionamento é igual LEGO, o gostoso é montar, depois de pronto perde a graça.
3 respostas Até agora ↓
Nuno Bianchi // 19 Abril, 2008 às 2:19 am
Um oceano, uns continentes, e uma atmosfera
toda de complicações, realmente.
Mas o meu defeito revelado pelo tempo, bem em
oposto ao seu, é com certeza o fato de que eu
não consigo perder a esperança. Não consigo evitar
algo idiota e otimista em mim que insiste em me
falar que o também é apenas o tempo que pode
revelar o que realmente há de precioso, ou o real
motivo para se estar junto, além da saliva, do suor,
da pele que escorregava contra a outra, no som do
sussurro no ouvido e do grito da unha contra a pele.
Mas isso também, quando é muito bom mesmo,
com certeza faz valer a TPM, a mãe, a confusão,
o machismo e as amigas “from hell”….
Talvez não todas juntas, pra num ser tão otimista.
Magá // 23 Abril, 2008 às 1:48 pm
uhauhauhauh achei que era um “texto sério”… começou meio sóbrio e tal… mas no final tem sempre a escrachada ne hahah!
abrass
Muitas paixões « Cerveja da Tarde // 25 Agosto, 2008 às 11:24 am
[...] da minha racionalidade masculina exarcerbada, fui flechado várias vezes pelo cupido da paixão, um desgraçado by the [...]