O disco simplesmente não muda.
Durante a semana passada enquanto cada mortal se ocupava de alguma forma, um crime passional estava sendo esboçado pelas bandas do ABC paulista. Uma garota de 15 anos foi refém de um bandidinho que fora seu namorado por mais de 2 anos.
O polícia despreparada foi o diretor deste drama-policial baseado em fatos reais. O personagem Lindemberg que não queria nada com a vida foi preservado mesmo abrindo o peito para os atiradores de elite da polícia, em contrapartida a personagem Eloá, a qual tinha todo um caminho a ser percorrido, teve sua vida roubada por um amor utópico, o amor assassino.
Acredito piamente que ninguém queria tal desfecho, porém, também penso que tudo poderia ser diferente para que a tragédia evitável de fato fosse evitada.
O contraste se perde caso não fosse a maior estrela desta trama. Senhoras e senhores, com vocês, a MÍDIA! Respeitável público, este caso virou filme, produto industrializado por uma mídia sensacionalista. Exemplo disso foi o caso de Isabella Nardoni, menina que supostamente foi atirada pelo pai e a madrasta através da janela de um apartamento. O povo brincou de detetive e aiiiii de quem não tivesse uma opinião formada e um palpite na ponta da língua a respeito deste caso.
Todos os meios de comunicação plastificam um crime numa embalagem, colocam na prateleira e sabem o motivo? Por que vende. Onde há demandante, deve haver negócio. A impressão é que o povo precisa de um crime da mesma forma que os EUA precisam fazer barulho guerreando. No enterro da menina Eloá, por volta de 30.000 pessoas apareceram por lá. Todos amigos e familiares? Claro que não. Todos desempregados? Não sei. Compreensível a sensibilidade das pessoas, mas chefe nenhum desse capitalismo concederia uma manhã de trabalho de um funcionário para um abraço caloroso a uma família totalmente desvinculada deste.
Numa atitude deveras admirável, a mãe de Eloá autorizou a doação dos orgãos da menina. Para entender a que ponto a situação está, todos os receptores foram localizados e todos sabem onde estão o caração, rins, pâncreas, fígado e outros orgãos de Eloá, numa tentativa de sucesso em manter a chama acesa deste caso e vender espaços publicitários.
Chega de se alimentar da desgraça alheia, o Brasil tem muita desgraça pior, não vira burburinho e ninguém enche cemitérios por aí, qual a razão de tanto apego num caso específico? Sabem? Sabem? Sabem??????
Por causa disto!
VENDA,COMÉRCIO, BUSINESS.
Amanhã eles procuram outro por aí.

5 respostas Até agora ↓
John Calzonne // 23 Outubro, 2008 às 11:00 am
Elementar, meu caro garçom da discórdia. Sensacionalismo na veia em dose múltipla, por favor. Desde sempre e até nunca mais – nosso (fortíssimo) lado neandertal anseia por isso.
Carlton Fox // 23 Outubro, 2008 às 11:04 am
Hahhahahahha… como se houvesse opção em outro canal…
Moooooosssshtraaaaa!!!!
Vickye Marley // 23 Outubro, 2008 às 11:17 am
Lencione, Lencione. Menino Lenci…
“Todos os meios de comunicação plastificam um crime numa embalagem, colocam na prateleira e sabem o motivo? Por que vende.”
Traga uma bebida que me surpreenda, por favor???
Grata,
VM
Jonathan Smith // 23 Outubro, 2008 às 11:41 am
That`s how stuff works, my friend!
Even I got my benefits from Eloa’s death.
I sold more than two thousand water bottles by the line formed by her memmorial, so people could see the young girl`s cuffin!
Rodrigo Cunha // 23 Outubro, 2008 às 12:17 pm
Man, o pior é ouvir as pessoas falando sobre isso sem parar. Ou seja, todo esse barulho faz mesmo efeito, o que acaba até gerando comentários “politizados”, o que acaba enchendo as bolas.