Numa roda qualquer de conversa, se assunto é o curso superior que cada um escolheu para seguir carreira (ao menos na teoria), quando chega minha vez e falo “faço Economia”, é perceptível que consigo arrancar olhos arregalados, ou pelo menos expressões de surpresa. Na realidade não sei bem ao certo o motivo para tal reação, talvez meus brincos, piercings e cara de moleque largado não refletem a imagem que as pessoas têm de um economista.
Após o primeiro espanto logo surge um comentário leigo e pouco pertinente: “Nossa, então você deve ser uma pessoa que sabe economizar dinheiro”, quanta bobagem, Economia não é curso para a dona de casa que busca economizar com supermercado ou cartão de crédito do marido, é sim muito mais do que simplesmente saber como economizar, é entender essa ciência abstrata aos olhos, contudo significante aos bolsos de qualquer mortal.
Ao passo que ingressei no curso, percebi que de todos os colegas, apemas 2% aproximadamente prestaram Economia pois queriam ser economistas de fato e não pára-quedistas como os outros 98% (eu particularmente me enquadro nos 98%). Portanto há muitos frustrados, advogados, engenheiros, administradores (que optaram por Economia pois Administração é para fracos) e até médicos.
Nesses últimos tempos, surgiu uma espécie de “modinha” por investir no mercado financeiro aberto, a bolsa de valores. Pessoas de diversas áreas, interessadas num ganho fácil, que de boca em boca geraram grande balbúrdia e mobilizaram muitos aventureiros de primeira viagem numa empreitada aparentemente bem mais fácil do que ganhar na Mega Sena ou ficar no escritório 9 horas por dia. Quisera eu assistir sessões da tarde e via internet constatar que mais rico estou por conta da alta de minhas ações. Verdade é o que dizia um professor de Macroeconomia que tive: “Um bom investidor no mercado financeiro, é aquele que ganha mais do perde”, ou seja, sempre partindo do pressuposto que haverão perdas.
Esta crise que assola os EUA e faz tremer o chão do resto do mundo, implica no otimismo do mercado e as bolsas desse mundão afora mostram sinais de cansaço, apontando uma arma para os calouros arrojados do mercado financeiro, talvez o que parecia simples tornou-se um pesadelo, o qual aperta mais e mais a corda no pescoço do investidor com um mercado em queda brusca. Muita gente viu que brincar de índio não é tão bonito como a Xuxa cantava, há muito cara-pálida flechado, com papéis de bunda sem valor, e o sorriso de outrora bem longe da realidade obscura que cavalga entre nós.
Na próxima oportunidade, se quiser investir em bolsa, compre uma Louis Vuitton, durabilidade garantida!



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