Arquivo do mês: setembro 2010

A Devassa de Grife

Sexta feira, festa na casa do Maurício, um amigo da faculdade.

Minha indisposição gritava bem mais alto que o sussurro reproduzido pela minha vontade de comparecer a festa. Relutei, mas acabei indo.

Quando lá cheguei, antes mesmo de olhar 360º para avaliar o ambiente, minha visão parou ainda nos 30º, justamente onde desfilava passava uma loirinha, vestido preto, cheirosa mesmo que só devista, e literalmente bem cuidada.

Ela continuou caminhando e  seus feromônios logo me prenderam. Antes mesmo de qualquer reação que pudesse tomar, fui surpreendido pelas pessoas que se aproximavam para comprimentar-me, afinal de contas eu chegara naquele exato momento no local.

Desenvolvia assuntos diversos com colegas e amigos, me distraía sem dúvidas, entretanto, estava atento a espera de qualquer sinal da ninfetinha que mudou minha perspectiva em relação àquela festa.

Num instante, quando olho para trás, me deparo com duas garotas conversando bem animadinhas e ligeiramente bêbadas. Uma delas era a Nat, uma grande amiga, a outra era exatamente quem deveria ser, aquele modelo de sabor que me desnorteara desde o começo da noite.

Loira escura, cabelos longos, olhos verdes, pés 35, piercing de argolinha no nariz, extremamente linda.Vestida dos pés a cabeça por marcas de grife. Seu cheiro, agora, comprovadamente é algo mais que especial, é extraordinário!

Fomos apresentados e logo fui informado pelas pessoas ao redor, que a moça em questão é filha de diplomata, fluente em 4 idiomas e um jeitinho de fresca bem peculiar. Também descobri que se tratava de uma das melhores amigas da Nat.

Eu estava definitivamente interessado.

Seus seios flutuavam em meio a gravidade, suas costas desenhadas na abertura do vestido davam o toque final no  seu estilo. Todo o conjunto era tão perfeito que me causava dor no coração ao pensar em comê-la.

Atendia pelo nome Marina, preferivelmente Mari. Logo quando fomos apresentados não paramos de conversar um só minuto. Acompanhei muito bem os assuntos mais incrementados que por vezes ganhava espaço, mas realmente nossos mundos eram bastante distintos. Ela namorava há 4 anos com um herdeiro de um grande conglomerado de empresas, o qual naquele momento  passava férias na casa de seu avô na Itália.  Falava de sua vida e de seu namoro “endinheirado” a todo instante, o que evidentemente me deslocava assim como  afastava meus objetivos para longe.

A tequila dava ritmo incessante à bagunça, porém não conversava mais com a Mari, apesar de criarmos certa empatia,  não percebi qualquer interesse por parte dela, além de ser perceptível que sua vida caminhava muito bem, e para um só rumo, distinto do meu, claro.

Meio alcoolizado, beirando as 4 da manhã,  a festa era uma putaria generalizada, contudo meu cansaço e o ar fresco justificaram minha ausência do local quando parti para a lavanderia da casa. Localizava-se numa espécie de sobradinho fora da casa principal, não havia ninguém por lá, e acendi meu baseado e um cigarro ao mesmo tempo, lá fiquei chapado olhando para nada e ouvindo toda aquela farra como trilha sonora.

A fanfarra era intensa, menininhas gorfavam até transando, cheguei a pensar em Mari, como ela poderia estar, se já tinha ido embora, enfim… concluí que uma moça como ela já deveria estar em casa.

Alguns amigos apareciam e perguntavam se eu estava bem, e depois partiam. Todos estava malucos, sem exceção.

Meus dois “cigarros” já estavam pela metade, enquanto fumava cabisbaixo e em silêncio, ouço passos descalços vindo do corredor externo ao lado da casa principal. Esperava mais algum bêbado enchendo meu saco, mas não, era a Mari, já descaracterizada pela bebedeira, andando sem suas sandálias PRADA.

Olhou fixamente para minhas mãos e disse:

- Me dá um pega.

Me espantei e logo respondi:

- Claro mari, não sabia que você fumava, não quer um cigarro inteiro para você?

Saquei o maço e o deixei a disposição dela.

Prontamente ela respondeu:

- Cigarro eu tenho, gato. Eu quero  fumar maconha contigo, entende? Marijuana, beck, banza, fumo de índio, joint, weed, hemp, ficou claro assim?

Assustado passei a “bola” para a gostosa, extasiado pela novidade e ao mesmo tempo desconfiado. Ela sentou ao meu lado no degrau da escada e perguntou com todo seu charme peculiar:

- Onde você estava? Procurei você por todos os cantos, perguntei de você para todo mundo, o Pedro disse que o tinha visto aqui nos fundos, aconteceu alguma coisa?

- Queria sair um pouco de lá.

Afirmei.

Ela muda de assunto e lança um pedido inegável que  elevara meus batimentos cardíacos.

- Me faz uma peruana? (método de passar a fumaça para a outra pessoa, o qual requer GRANDE aproximação das faces)

Respondi que sim com a cabeça, nada disse.

Perto de sua boca, ela num ímpeto me beijou com violência e tesão, puxava com uma das mãos meu cabelo na parte de trás da minha cabeça, com a outra arranhava minhas costas por dentro dacamiseta.

Enquanto o malho evoluía, suas mãos mudaram de foco e felizmente foram para meu zíper do jeans, quando percebi estava sendo contemplado por um boquete quente e úmido, muito embora 10 minutos antes, estava eu excluído num canto pensando no horário que voltaria para casa.

A levei para dentro da lavanderia, levantei sua saia e a comi como puta, do jeito que ela queria.

Finalizei o serviço em suas costas. Ganhei um beijo e um e-mail no dia seguinte dizendo:

Foi inesquecível.

Gostaria que minha rotina fosse  numa lavanderia com você.

Obrigada por me mostrar que para ser feliz, a vida carece de muito mais detalhes que imaginei algum dia.

Não me procure. Preciso retomar minha vida, pelo menos por enquanto.

P.S – Quando menos esperar, apareço no meio da noite, sedenta de tesão. Roupa de grife? Só se for no chão do seu quarto.

Milhões de beijos.

Mari

Tirei uma lição disso tudo. Maconha, boquete e uma trepada na lavanderia, colocam todos os humanos no mesmo patamar social.