Arquivo do mês: novembro 2010

Os dias ensolarados de infância

Quando era apenas uma criança, acreditava piamente que o dia do meu aniversário era especial, pois eu era especial. Isso me ocorria pois coincidentemente os dias em que completava mais um ano de vida, eram iluminados pelo sol mais bonito que eu podia enxergar.

Nesta época a vida era aquilo, uma cerca limitava minha locomoção física, mas permitia minha imaginação astuta, que a pulava e dissipava no vendaval.

Um dia me deparei com uma criança pobre de rua, não compreendia como poderia viver naquelas condições. Sabia somente, através de meu pai, que devia dar um dos meus 5 pirulitos que ganhei ao sair do jantar em família, fato irreal àquela criança de pele e osso como eu. A criança que queria um pirulito para sentir algum gosto em sua boca ressecada e amarga pelo seu cotidiano selvagem.

Minha realidade era blindada dos terrores do mundo, tudo o que via eram programas matinais e brincadeiras com amigos.

A pele era lisa, o coração ligeiro e os sentimentos incompletos. A maldade não tinha espaço, afinal de contas ela é fruto do tempo em que vivemos entre nós. Como quando somos novos, não passou muito tempo, reservado estava o momento derradeiro das emoções. Preferia como antes, sem emoções, mas com inocência.

A inocência é basicamente um mundo introspectivo, regido por regras próprias do seu criador.

Guerras, problemas sociais ou econômicos, nada disso era parte das minhas preocupações.

Querer voltar a ser criança não se trata de uma fuga dos obstáculos, mas sim evitar os infortúnios criados pela humanidade, desnecessários e sem propósito. Na verdade são cheio de sentimentos, o segredo é este, o problema também.

Quando crescemos, alimentamo-nos de emoções. Enrijecemos não só nossas articulações, músculos ou membros, mas também o egoísmo que nos foi indiretamente ensinado, o amor que nunca foi explicado e nossa visão que nunca mais será a mesma.