Mais um dia chega, porém, mais claro, cheio de vida.
O sol ilumina com brilho intenso, nossas cabeças e paisagens, pintando um lindo cenário, exceto para mim.
Me aproximo da entrada de casa, munido de cafeína e um cigarro reflexivo.
Lá vejo ao redor, meu lindo jardim. Mais bonito e vivo, consequência da divindade solar.
Contudo, triste e sem valor, por conta da doença em minha vista. Mazela ancestral, sem cura aparente.
Ela tapa meus olhos com uma venda que cega o que tenho, mas me excita pelo o que não é meu, ainda…
Levanto, olho por cima do muro, e lá vejo um jardim, menor que o meu, com poucas variedades e sem tanta graça.
Mas este, apesar da inferior, é o que exala o perfume que não conhecia, as formas que não são de costume e acima de tudo as cores que minha visão quer ver.
Caminhar até este novo jardim e chamá-lo de meu, de nada adiantaria.
Com o tempo, a doença levaria minha atenção por cima do muro, para então contemplar, novamente, um outro jardim que não é meu.