Suas facas eram afiadas, dia após dia, enquanto eu dormia.
Sou pecador, humano. Tomei as pedradas que Judas mereceu.
Um dia, num movimento do relógio, o castelo desmorona.
A princesa, agora é fumaça. Cuidado! Não inale, é veneno.
Neste terreno de destruição, tudo é pó.
Vejo a dedicação, despercebida, escorrendo pelo ralo ao som de risos… ecoando no banheiro do hospício, no calor de minha maior insanidade. Suposta, hoje afirmo.
Contudo, louco não sou, me foi revelado…
Anos e anos significam tempo gasto, nada além de grãos através de um estreito espaço.
A esperteza de ontem é o diabo do presente, deste inferno insuportável de vazio.
Gostou? Faça de novo. É o que resta.
Fique a vontade, mi casa és tu casa. Se esbalde no aconchego da dúvida, ela te encurralou.
Abra a geladeira, e continue tomando o resto de leite que deixei guardado.
Sempre soube de todo esse amor por mim…Eu não quis ver.
Me recordo bem, vi lágrimas mentirosas, as quais hoje traduzem parte de um roteiro maquiavélico escrito a quatro mãos.
As facas, finalmente prontas e fincadas em minhas costas, são removidas pelo tempo.
O divino se encarrega da justiça.
Eu, que não rezo o Pai Nosso, fui contemplado por Deus…
… que livrou-me do mal.
Amém.